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Vantagem de colégios face a escolas públicas anula-se quando escolaridade dos pais é igual

Os melhores desempenhos a leitura dos alunos dos colégios praticamente desaparecem quando são comparados com estudantes de escolas públicas cujos pais têm o mesmo grau académico, revela um estudo nacional divulgado hoje.
Este é um dos resultados do estudo da Edulog realizado com 6.513 alunos do último ano do pré-escolar e dos 1.º e 2.º anos de escolaridade para perceber como se preparam as crianças para aprender a ler e escrever, avaliar a literacia entre os mais novos e conhecer os fatores que mais influenciam o processo.
Os investigadores do Projeto LER concluíram que o fator que mais influencia o sucesso académico é a formação académica dos pais: Os alunos com “pelo menos um progenitor com ensino superior apresentam melhores resultados”.
Numa comparação entre escolas públicas e privadas, os alunos dos colégios tiveram melhores desempenhos, mas os investigadores perceberam que a “vantagem inicial” destes alunos era “pouco significativa” após “controlar a escolaridade parental”.
“Quando se tem em conta a escolaridade dos pais, a vantagem das escolas privadas praticamente desaparece”, lê-se no estudo apresentado hoje na conferência internacional anual do Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo.
A grande diferença é que nos colégios a grande maioria dos alunos (88%) tem pelo menos um pai com formação superior, enquanto nas escolas públicas esses casos são uma minoria (46%).
A ideia de que os alunos das escolas privadas tinham melhores resultados já tinha sido revelada no ano passado pelo Ministério da Educação, quando divulgou os resultados dos testes diagnóstico de fluência leitora, no qual participaram cerca de 93 mil alunos do 2.º ano.
Na altura ficou a saber-se que, em média, os alunos conseguem ler de forma correta 75 palavras num minuto, ficando dentro do intervalo de referência internacional para o final do 2.º ano, que está entre 70 a 130 palavras.
Mas o estudo apontava o dedo para um quarto dos alunos que só conseguiam ler até 51 palavras num minuto, colocando-os “em risco de dificuldades de compreensão leitora”, alertava então o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).
Implementado no ano letivo de em 2024/25 em 184 escolas, o Projeto Ler mostra progressões consistentes no desenvolvimento das competências de leitura e escrita ao longo do tempo.
No pré-escolar, por exemplo, as crianças melhoraram os seus conhecimentos de letras e da consciência fonológica e entre as crianças do 1.º ciclo notou-se um “crescimento consistente da literacia”.
No entanto, os investigadores perceberam que metade dos alunos lê menos de 37 palavras por minuto no final do 1.º ano e 25% lê menos de 21 palavras por minuto.
Os investigadores apresentaram algumas recomendações para melhorar o nível de leitura, como jogos orais para desenvolver a consciência fonológica e conhecer melhor a ligação entre o som e a letra no pré-escolar ou a “leitura regular em casa” e “interação com livros e histórias”.
Os resultados do Projeto Ler serão apresentados hoje, primeiro dia da conferência internacional que abordará temas como o desenvolvimento cognitivo e linguístico ou a prevenção de dificuldades de aprendizagem e intervenção precoce.







