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Uso de máscara no exercício físico prejudica ventilação e reduz tolerância ao esforço – estudo

A Organização Mundial da Saúde “desaconselha a utilização de máscaras faciais durante o exercício intenso pois podem reduzir a capacidade de ventilar confortavelmente”, explicam.

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O uso de máscara durante o exercício contínuo, moderado a intenso, como andar de bicicleta na rua, prejudica a ventilação, reduz o consumo de oxigénio e encurta em 10% a tolerância de esforço até à exaustão, segundo um estudo hoje divulgado.

O trabalho, desenvolvido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, a que a Lusa teve acesso, concluiu que os efeitos negativos são “particularmente pronunciados” no exercício de maior intensidade.

“O uso de máscara cirúrgica é particularmente perturbadora no exercicio severo, é menos perturbadora no exercicio moderado e não afeta a fisiologia que foi quantificada em termos de repouso. Além de (…) encurtar aquilo que é a tolerância individual para a exaustão, verifica-se uma redução substancial no consumo de oxigénio e que esta redução se associa principalmente a uma redução ventilatória provocada pela máscara”, explicou à Lusa o coordenador do estudo, Gonçalo Vilhena de Mendonça.

Segundo a investigação, nem a frequência cardíaca nem o quociente de trocas respiratórias foram afetados pelo uso de máscaras.

“Esta diminuição da capacidade física – os tais 10% de menor tolerância ao esforço – está mais relacionada com a perturbação da máscara do ponto de vista ventilatório e não tanto do ponto de vista cardíaco ou metabólico”, acrescentou.

O investigador da Faculdade de Motricidade Humana explicou ainda que “o facto de a frequência cardíaca não ter sido alterada com o uso de máscara significa que não será o aparelho circulatório aquele que está mais afetado pela própria máscara”.

“Como o parâmetro que permite saber qual a mistura de nutrientes usados durante o esforço (hidratos de carbono ou lípidos) não se alterou, conclui-se que, nem o aparelho circulatório, nem a componente metabólica parecem ser afetados pelo uso de máscara em exercício. Já a componente ventilatória é muitíssimo afetada”, acrescentou.

Gonçalo Vilhena de Mendonça explicou ainda que, tal como demonstrado no estudo, “o ar que a pessoa inspira de cada vez que inala acaba por ser rarefeito, porque é um ar que fica aprisionado dentro da máscara e que, quando é reinalado, em vez de ter as proporções corretas de oxigénio e de dióxido de carbono, acaba por estar muito enriquecido em dióxido de carbono”.

Além de perturbar a tolerância máxima ao exercício – a capacidade máxima que a pessoa tem de tolerar esforço intenso – o uso da máscara acaba ainda por aumentar a intensidade relativa do esforço moderado, que passa a ser praticado a um maior percentual da capacidade máxima individual.

A investigação, que mediu o impacto do uso de máscaras cirúrgicas no exercício constante de intensidade moderada a intensa, envolveu 32 pessoas (16 homens e 16 mulheres) saudáveis.

Os autores explicam que havia já “evidências parciais” de que o exercício feito com máscara facial reduz o limiar de dispneia (dificuldade respiratória) em pessoas com patologia pulmonar e que isso pode ser causado pela reinalação de dióxido de carbono. Dizem ainda que, noutros estudos, já tinha ficado demonstrado que o uso de máscaras reduzia a ventilação.

Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) “desaconselha a utilização de máscaras faciais durante o exercício intenso pois podem reduzir a capacidade de ventilar confortavelmente”, explicam.

Contudo, eram ainda desconhecidos os efeitos do uso de máscara facial na capacidade de exercício realizado a intensidades constantes ao longo do tempo, bem como a diferença entre o seu uso durante o exercício intenso vs moderado.

“Este é o primeiro estudo a explorar efeito máscara cirúrgica em contexto de exercício moderado e intenso praticado ao longo do tempo e com uma intensidade constante. Os estudos que existiam até agora apenas tinham verificado o impacto da máscara em reposta a uma prova de esforço”, sublinhou o Gonçalo Vilhena de Mendonça, acrescentando outras duas novidades: foram também incluídas mulheres na amostra e foi quantificada a intensidade a que os participantes realizaram o exercício moderado, concluindo que com a máscara o exercício passa a ser intensificado”.

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Alunos tendem a ler cada vez menos com a idade, sobretudo os rapazes – estudo

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Os alunos tendem a ler cada vez menos com a idade e é sobretudo entre os rapazes que há menos gosto pelos livros, segundo um estudo divulgado hoje que aponta também a influência da família nas práticas de leitura.

As conclusões são da segunda parte do estudo “Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário”, desenvolvido pelo Plano Nacional de Leitura e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE-IUL, que olhou para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos.

Os resultados mais recentes confirmam uma tendência que a análise do 3.º ciclo e secundário, divulgada em setembro, já indiciava: São os mais novos e as raparigas quem mais gosta de ler, e à medida que os alunos avançam nos níveis de ensino a leitura vai merecendo cada vez menos espaço nos tempos livres.

Olhando para os dados dos 12.842 alunos inquiridos do 3.º ao 6.º ano, a grande maioria dos alunos diz gostar ou gostar muito de ler livros (83,3% no 1.º ciclo e 79,7% no 2.º ciclo) e para os mais novos a leitura é, sobretudo, divertida.

Nestas idades, a diferença entre eles e elas já é notória e no 2.º ciclo, por exemplo, enquanto 28,6% das raparigas leem todos os dias, apenas 14,6% dos rapazes faz o mesmo.

O menor entusiasmo dos rapazes com a leitura verifica-se desde cedo: Nos 1.º e 2.º ciclos, apenas 7% das raparigas admite ler só quando é obrigada e entre os rapazes essa percentagem aumenta para 15,1% (1.º ciclo) e 17% (2.º ciclo).

Do lado oposto, 56,8% das raparigas dos 5.º e 6.º anos dizem que quando começam a ler não conseguem parar, algo sentido por apenas 38,8% dos rapazes.

Quando os resultados desta segunda parte do estudo são comparados com os da primeira, dedicada ao 3.º ciclo e secundário, tornam-se mais evidentes não só a diferença entre rapazes e raparigas, mas sobretudo entre os alunos mais novos e mais velhos.

Do 2.º ciclo para o 3.º ciclo, a percentagem de alunos que só lê por obrigação mais que duplica, passando de 11,9% para 25%, um número que se repete no ensino secundário.

A tendência para gostar menos de ler reflete-se também no número de livros lidos no último ano e se a maioria dos alunos entre os 3.º e o 6.º anos leram pelo menos cinco livros em 12 meses, a partir do 7.º ano a maioria não chega a esse número.

À data do inquérito, apenas 31,9% dos alunos do 3.º ciclo e 25,4% dos alunos do secundário estavam a ler algum livro, um número inferior aos 55,3% do 1.º ciclo e 58,3% do 2.º ciclo.

Durante o período de confinamento imposto devido à pandemia de covid-19, os alunos intensificaram a leitura de livros, mas nem todos e, por isso, a diferença entre os mais novos e os mais velhos, e entre rapazes e raparigas, foi acentuada, uma vez que, quando tiveram de ficar em casa, aqueles que gostavam de ler passaram a fazê-lo ainda mais.

Além destas diferenças, o estudo hoje divulgado confirma também a influência do contexto familiar e do incentivo à leitura, verificando-se uma ligação entre as práticas dos alunos e a relação da família com a leitura.

Esta associação repete-se em diversos níveis, incluindo na relação dos alunos com a biblioteca escolar: Os alunos que mais recorrem às bibliotecas da escola para ler e levar livros são também aqueles que têm mais livros em casa.

Por outro lado, verifica-se também o enfraquecimento da relação das famílias com a leitura ao longo dos ciclos de ensino, uma situação que, para os investigadores, aumenta a complexidade do desafio colocado às escolas e o reforço de investimento na promoção de práticas de leitura de jovens e de adultos.

Já no contexto escolar, o estudo sublinha o impacto das atividades relacionadas com a leitura e a escrita desenvolvidas em sala de aula nas práticas de leitura dos alunos, uma vez que quanto maior é a exposição a essas atividades, maior é o número de livros lidos.

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