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Fernando Santos: “Sou o homem certo” mas “se não for apurado nos ‘play-offs’ sairei por minha iniciativa”

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Foto: Facebook Seleções de Portugal

O selecionador português de futebol disse ser “o homem certo para continuar à frente” da equipa, mas assumiu que sairá do cargo “pelo próprio pé” se Portugal for eliminado nos ‘play-offs’ de apuramento para o Mundial2022.

Em entrevista à TVI, Fernando Santos referiu ter falado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, na terça-feira, e que ambos concluíram que o selecionador continua a ser o homem certo para o cargo, apesar de a formação lusa ter falhado o apuramento direto para o Campeonato do Mundo, ao perder com a Sérvia (2-1), no domingo.

“Falei com Fernando Gomes, mas não só a seguir ao jogo. Falamos sempre. Ele é extremamente exigente, tem uma forma muito objetiva de refletir e eu também sou assim. Nestes anos, fizemos sempre uma reflexão, em 2016, 2018 e 2020. Ontem [terça-feira], conversámos sobre as nossas reflexões e entendemos ambos que eu sou o homem certo para continuar à frente da seleção e para a levar ao Mundial. Se ele também pensa assim, é um fator de confiança ainda maior”, confessou.

De resto, Fernando Santos disse não ter ponderado a saída da equipa das ‘quinas’, na sequência do desaire com os sérvios, uma vez que ainda não falhou qualquer objetivo desde que assumiu o comando da seleção, em 2014.

“Não ponderei a saída. Em 2014, assumi com Fernando Gomes o compromisso de que no dia em que não alcançasse os objetivos, sairia. Sempre definimos objetivos e, até agora, todos foram cumpridos, fomos sempre apurados. Não passámos de forma direta ao Mundial, mas esta não é a primeira vez que Portugal tem de disputar um ‘play-off’. Ainda não estamos eliminados”, observou.

Contudo, deixou uma certeza, caso Portugal não ultrapasse os ‘play-offs’ de qualificação para o Mundial, em março.

“Se não for apurado nos ‘play-offs’, sairei por minha iniciativa. No dia em que algum objetivo não for cumprido, nem haverá conversa. Saio pelo meu próprio pé. Há um compromisso assumido com Fernando Gomes. Enquanto formos cumprindo objetivos, vamos continuar juntos. No dia em que não cumprir, eu saio”, salientou.

Ainda assim, o técnico mostrou-se confiante no apuramento de Portugal para a fase final da competição, ainda que tenha assumido que a qualidade do jogo luso “não tem sido a ideal” e que “tem havido muita oscilação exibicional desde 2018, desde a chegada da nova geração de jogadores, que têm características diferentes dos anteriores”.

Fernando Santos elegeu o jogo com a Alemanha, no Euro2020 (derrota por 4-2), como “o pior de todos” desde que é selecionador nacional, juntamente com o recente embate com a Sérvia.

Por outro lado, o técnico recusou que a sua ideia de jogo esteja ultrapassada e garantiu que “não há desgaste” na relação com os jogadores da seleção nacional.

“A minha relação pessoal e profissional com os jogadores é excelente. Tenho 34 anos de treinador, já passei por muitas coisas. Quando os jogadores não jogam assiduamente, há sempre alguma azia. Eu ficaria muito preocupado se os jogadores da seleção que não jogam com regularidade ficassem satisfeitos. A mensagem para os jogadores continua a passar”, disse.

Portugal perdeu no domingo, na receção à Sérvia, no último jogo do Grupo A de qualificação para o Mundial2022, falhando o apuramento direto para a fase final da competição que se disputará entre novembro e dezembro do próximo ano, no Qatar.

Por ter terminado no segundo posto do grupo, atrás dos sérvios, a equipa das ‘quinas’ irá disputar os ‘play-offs’, que serão realizados em 24 e 29 de março de 2022.

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Alunos tendem a ler cada vez menos com a idade, sobretudo os rapazes – estudo

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Os alunos tendem a ler cada vez menos com a idade e é sobretudo entre os rapazes que há menos gosto pelos livros, segundo um estudo divulgado hoje que aponta também a influência da família nas práticas de leitura.

As conclusões são da segunda parte do estudo “Práticas de Leitura dos Estudantes dos Ensinos Básico e Secundário”, desenvolvido pelo Plano Nacional de Leitura e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE-IUL, que olhou para os alunos dos 1.º e 2.º ciclos.

Os resultados mais recentes confirmam uma tendência que a análise do 3.º ciclo e secundário, divulgada em setembro, já indiciava: São os mais novos e as raparigas quem mais gosta de ler, e à medida que os alunos avançam nos níveis de ensino a leitura vai merecendo cada vez menos espaço nos tempos livres.

Olhando para os dados dos 12.842 alunos inquiridos do 3.º ao 6.º ano, a grande maioria dos alunos diz gostar ou gostar muito de ler livros (83,3% no 1.º ciclo e 79,7% no 2.º ciclo) e para os mais novos a leitura é, sobretudo, divertida.

Nestas idades, a diferença entre eles e elas já é notória e no 2.º ciclo, por exemplo, enquanto 28,6% das raparigas leem todos os dias, apenas 14,6% dos rapazes faz o mesmo.

O menor entusiasmo dos rapazes com a leitura verifica-se desde cedo: Nos 1.º e 2.º ciclos, apenas 7% das raparigas admite ler só quando é obrigada e entre os rapazes essa percentagem aumenta para 15,1% (1.º ciclo) e 17% (2.º ciclo).

Do lado oposto, 56,8% das raparigas dos 5.º e 6.º anos dizem que quando começam a ler não conseguem parar, algo sentido por apenas 38,8% dos rapazes.

Quando os resultados desta segunda parte do estudo são comparados com os da primeira, dedicada ao 3.º ciclo e secundário, tornam-se mais evidentes não só a diferença entre rapazes e raparigas, mas sobretudo entre os alunos mais novos e mais velhos.

Do 2.º ciclo para o 3.º ciclo, a percentagem de alunos que só lê por obrigação mais que duplica, passando de 11,9% para 25%, um número que se repete no ensino secundário.

A tendência para gostar menos de ler reflete-se também no número de livros lidos no último ano e se a maioria dos alunos entre os 3.º e o 6.º anos leram pelo menos cinco livros em 12 meses, a partir do 7.º ano a maioria não chega a esse número.

À data do inquérito, apenas 31,9% dos alunos do 3.º ciclo e 25,4% dos alunos do secundário estavam a ler algum livro, um número inferior aos 55,3% do 1.º ciclo e 58,3% do 2.º ciclo.

Durante o período de confinamento imposto devido à pandemia de covid-19, os alunos intensificaram a leitura de livros, mas nem todos e, por isso, a diferença entre os mais novos e os mais velhos, e entre rapazes e raparigas, foi acentuada, uma vez que, quando tiveram de ficar em casa, aqueles que gostavam de ler passaram a fazê-lo ainda mais.

Além destas diferenças, o estudo hoje divulgado confirma também a influência do contexto familiar e do incentivo à leitura, verificando-se uma ligação entre as práticas dos alunos e a relação da família com a leitura.

Esta associação repete-se em diversos níveis, incluindo na relação dos alunos com a biblioteca escolar: Os alunos que mais recorrem às bibliotecas da escola para ler e levar livros são também aqueles que têm mais livros em casa.

Por outro lado, verifica-se também o enfraquecimento da relação das famílias com a leitura ao longo dos ciclos de ensino, uma situação que, para os investigadores, aumenta a complexidade do desafio colocado às escolas e o reforço de investimento na promoção de práticas de leitura de jovens e de adultos.

Já no contexto escolar, o estudo sublinha o impacto das atividades relacionadas com a leitura e a escrita desenvolvidas em sala de aula nas práticas de leitura dos alunos, uma vez que quanto maior é a exposição a essas atividades, maior é o número de livros lidos.

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