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Calor em excesso matou 50 mil pessoas no verão europeu deste ano – estudo
O verão deste ano terá sido o pior já registado em termos de mortes devido ao calor em cidades europeias, com as alterações climáticas a serem responsáveis por dois terços das 50 mil mortes por excesso de calor.
O número, segundo dois estudos hoje divulgados, é substancialmente superior ao dos piores anos anteriores, 2003 e 2022.
A análise faz parte de dois artigos, revistos por pares, publicados na revista “Nature Health”, feitos por cientistas do “Imperial College London” e da “London School of Hygiene & Tropical Medicine”, que analisaram 854 áreas urbanas que representam cerca de 40% da população dos trinta países estudados, os 27 da União Europeia, o Reino Unido, a Noruega e a Suíça.
Usando registos de temperatura e modelações baseadas na relação histórica entre o calor e a mortalidade, além de outros dados, os investigadores estimaram que o número de mortes por excesso de calor neste verão foi o mais elevado em 26 anos (desde 2000), muito acima do segundo número mais elevado, em 2022, com cerca de 29.000 mortes, ou em 2003, com 28.000 mortes.
Outras conclusões dão conta que o calor tenha estado na origem de seis mil mortes de pessoas com menos de 65 anos, dão conta do papel crescente das alterações climáticas no número de mortes (dois terços atualmente), e de que o sul e oeste da Europa registaram as temperaturas mais elevadas, estimando-se também milhares de mortes no norte da Europa.
O estudo indica que o final de junho deste ano foi especialmente severo, estimando-se que quase um terço de todas as mortes tenha ocorrido durante o período de 17 de junho a 1 de julho de 2026, quando as temperaturas médias diárias em toda a região estavam mais de 5°C acima da média de 1991-2020.
Os cinco países com maior número de mortes nas cidades, relacionadas com o calor entre junho e agosto, foram a Itália (13.303), França (7.268), Espanha (6.824), Alemanha (6.340) e o Reino Unido (4.354).
Para Portugal o estudo atribui 476 mortes ao excesso de calor no verão deste ano.
Dados recentes divulgados pelo Conselho Português para a Saúde e Ambiente indicam que em 2025 terão ocorrido 2.009 mortes em excesso durante os episódios de calor.