Desporto
Benfica, FC Porto e Sporting com perdas de 27 ME mês – especialista

Benfica, FC Porto e Sporting podem perder mais de 27 milhões de euros por cada mês de paragem do futebol devido à pandemia de covid-19, estimou à agência Lusa o especialista de gestão desportiva Alfredo Silva.
Segundo o professor da Escola Superior de Desporto de Rio Maior Alfredo Silva, coordenador da licenciatura de Gestão das Organizações Desportivas, as perdas para os denominados ‘três grandes’ podem chegar a esses valores somando as três “áreas de negócio” mais relevantes em termos de receitas.
Se na bilheteira pode existir “uma perda real mensal de 4,3 milhões de euros”, números ponderados com os mais de 3,5 milhões de espetadores que assistiram a jogos da I Liga em 2018/19, a maior fatia dos quais em torno destes três rivais, os valores sobem muito mais quando se fala de transmissões televisivas.
Com o campeonato parado, não só os adeptos não podem marcar presença nos estádios, como não conseguem assistir às partidas em casa, através da televisão.
Nesse cenário, e assumindo uma paragem de um mês, as perdas com a distribuição televisiva das partidas, bem como outros conteúdos relacionados, originariam “uma perda de 17 milhões de euros” para os três clubes.
O outro eixo de perdas possíveis prende-se com os patrocínios e outros contratos de publicidade, que podem “ser mitigadas” para os clubes, mas acabam por afetar mais “as empresas e marcas patrocinadoras”.
“Os contratos poderão ser renegociados, facto que pode originar [para os clubes] perdas mensais de seis milhões de euros”, acrescenta o docente universitário.

Desporto
Liga de clubes e Sindicato de jogadores acertam medidas

O Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) aceitou hoje algumas das medidas propostas pela Liga de clubes (LPFP) com vista a serem refletivas no contrato coletivo de trabalho dos futebolistas, face à pandemia de covid-19.
Em comunicado, a LPFP referiu que as duas entidades definiram linhas orientadoras, desde logo a “prorrogação dos contratos de trabalho até término da época, considerando a sua duração até ao último jogo oficial de 2019/2020”, algo que a FIFA revelou hoje ter proposto a todos os clubes.
Da mesma forma, o SJPF concordou que os contratos de empréstimo que terminavam no final da época também sejam prolongados até ao último jogo oficial 2019/20, que o período de férias dos jogadores seja definido por indicação dos clubes e, por fim, “que nenhuma destas medidas constitui justa causa de rescisão do contrato de trabalho desportivo”.
Contudo, segundo adiantou a Liga de clubes, o sindicato de jogadores rejeitou que “os jogadores e os clubes celebrem acordos de redução salarial” e que “na falta de convenção entre jogadores e clubes” fossem aquelas duas entidades a “determinar uma redução percentual do salário anual dos jogadores, repercutido nos meses de abril até ao término da época”.
Perante esta divergência, a LPFP considera que os clubes que disputam a I e II Ligas estão “libertos para poderem lançar mão de todas as medidas especiais propostas pelo Governo, em concreto o ‘lay-off’ ou outras medidas análogas previstas na lei, bem como a liberdade para negociar livremente com os seus atletas”.
Por seu lado, o SJPF, também através de comunicado emitido hoje, manifestou-se contra “cortes salariais indiscriminados” e defendeu que “quem aufere rendimentos mais elevados pode sofrer um corte maior”.
Para o sindicato liderado por Joaquim Evangelista, eventuais ajustes devem obedecer ao princípio da proporcionalidade salarial, ou seja, “quem aufere rendimentos mais elevados pode sofrer um corte maior, quem aufere rendimentos mais reduzidos, deve ver o seu salário menos afetado”.
Contudo, deixou claro que os cortes efetuados nesta “fase de transição” devem “ser repostos/compensados em data a acordar pelas partes na relação laboral desportiva, num momento de retoma financeira e com a possibilidade de adaptação, de acordo com a evolução da retoma das competições”.
Por outro lado, numa altura em que as competições nacionais de futebol estão suspensas, tal como acontece em quase todo o mundo, o sindicato dos jogadores salientou que “só a Direção-Geral da Saúde (DGS) pode confirmar a possibilidade de retoma da atividade e competição em segurança”.
Lusa









