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Músicos querem banir telemóveis dos concertos
12 mar 2018


Há cada vez mais artistas e bandas a banirem a utilização dos aparelhos durante os espetáculos.

Poucos os dispensam. Para fotografar, filmar, enviar mensagens de texto, consultar o correio eletrónico, partilhar o momento nas redes sociais, navegar na Internet ou simplesmente telefonar, os telemóveis tornaram-se uma parte integrante da paisagem de qualquer espetáculo neste milénio. O fenómeno é por demais evidente nas alturas em que os artistas interpretam "o" tema pelo qual a assistência suspirou durante todo o concerto, transformando subitamente o recinto num infindável mar de pontinhos luminosos.

Se os circuitos pop e rock são aqueles onde é mais evidente esta tendência, já nem a música clássica escapa aos seus efeitos. Há semanas, o contratenor Rupert Entiknap interrompeu uma atuação em Londres por causa de um espectador que insistia em não largar o telemóvel...

Mas o que começou por ser um sinal de desagrado dos artistas perante o alheamento do público ou a obsessão em registar o momento, tornou-se, nos últimos tempos, num autêntico movimento contra o peso excessivo dos telemóveis. A proibição total do seu uso durante os concertos foi o passo seguinte.

E a divulgação da música?

Apesar de ser "uma solução demasiado radical, que sugere uma certa infantilização dos espectadores", como a apelida a cantora Ana Deus, há um número crescente de artistas ou grupos a adotá-la, em nome do regresso a um espírito de fruição do momento.

Guns"n"Roses, Alicia Keys, Jack White, Lumineers, Glenn Danzig ou o humorista David Chapelle estão entre os seguidores de uma medida que a generalidade dos músicos auscultados pelo "Jornal de Notícias" tem dificuldade em aprovar. Por muito que reconheçam, como David Santos, "a incapacidade crescente do público em focar-se por inteiro na música".

"Apesar de tudo, não consigo ser frontalmente contra o uso de telemóveis porque a partilha de uma imagem ou de um vídeo pode ser importante para divulgar a música", adianta o músico conhecido por Noiserv, que sublinha, porém, existir "uma diferença clara" entre quem "tira uma fotografia e quem filma o concerto na totalidade".

Uma "proibição ilegal"?

Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero, não tem pejo em reconhecer "os comportamentos abusivos" de quem não larga o telemóvel nos concertos, desrespeitando tanto os músicos como os espectadores vizinhos. Ainda assim, apelida a medida de "absurda" por "entrar na esfera individual". "É um ato censório, porque o artista obriga o espectador a ter determinado comportamento", adianta Guedes, sugerindo, enquanto jurista, que a medida, pelos fundamentos invocados, pode estar ferida de ilegalidade.

O Presidente da Associação Portuguesa de Festivais, Ricardo Bramão também desconfia da aplicação efetiva da medida. Sobretudo nos festivais: "É quase impossível controlar o seu uso num recinto onde as pessoas vão ver diferentes artistas".

Record FM com JN

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